Costas Pitas e Andy Bruce
LONDRES - Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, pediu nesta
sexta-feira à Grã-Bretanha e à Suécia que permitam que ele deixe a
embaixada do Equador em Londres em liberdade depois que um comitê da
Organização das Nações Unidas (ONU) decretou que ele foi detido
arbitrariamente e que deveria ser indenizado.
Assange,
ex-hacker que causou irritou os Estados Unidos por usar o WikiLeaks
para vazar centenas de milhares de comunicações diplomáticas e militares
secretas norte-americanas, está na representação equatoriana desde
junho de 2012 para evitar uma investigação de estupro na Suécia.
Tanto a Grã-Bretanha quanto a Suécia negaram que Assange esteja privado
de liberdade, ressaltando que ele se refugiou na embaixada
voluntariamente.
Londres declarou que irá contestar a decisão da ONU e que Assange será preso se deixar o local.
O
australiano Assange apelou à entidade da ONU, cujo veredicto não
implica em cumprimento obrigatório, afirmando ser um refugiado político
cujos direitos foram infringidos, já que ele não foi capaz de viajar ao
Equador, país que lhe havia concedido asilo político.
A
decisão, embora favorável a ele, não foi unânime. Três dos cinco
membros do conselho apoiaram um arbítrio a favor de Assange, um
discordou e outro se absteve.
Falando
por meio de uma videoconferência de suas instalações apertadas na
representação equatoriana, localizada na região londrina de
Knightsbridge, Assange pediu aos governos britânico e sueco que adotem a
decisão do órgão da ONU.
"Hoje
temos uma vitória realmente significativa, que me fez sorrir", disse
Assange. "Agora é tarefa da Suécia e da Grã-Bretanha... implementarem o
veredicto."
Assange, de 44 anos, nega as alegações de que teria cometido estupros
na Suécia em 2010, afirmando que a acusação é uma artimanha que mais
adiante o levaria aos EUA, onde uma investigação criminal sobre as
atividades do WikiLeaks ainda está aberta.
"O
Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias da ONU considera que as
várias formas de privação da liberdade às quais Julian Assange vem sendo
sujeitado constituem uma forma de detenção arbitrária", declarou o
chefe da entidade, Seong-Phil Hong, em um comunicado.
"(O
Grupo) mantém que a detenção arbitrária do senhor Assange deveria ser
encerrada, que sua integridade física e sua liberdade de movimento
deveriam ser respeitadas e que ele deveria poder usufruir do direito
compulsório de indenização".
O
ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, disse que
Assange precisa receber permissão de sair em liberdade. "Do que mais
eles querem acusá-lo antes de começarem a retificar seu erro?", indagou
ele na rede de TV Telesur, referindo-se a Grã-Bretanha e Suécia. Patiño
afirmou que o Equador está estudando seus próximos passos.
O
Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias não tem autoridade para
ordenar a libertação de um detido --e é improvável que a decisão desta
sexta-feira altere as questões legais que Assange enfrenta-- , mas o
organismo analisou muitos casos de grande repercussão, e seu apoio tem
um peso moral que pressiona governos.
"Julian
Assange é um fugitivo da Justiça. Ele está se escondendo da Justiça na
embaixada do Equador", declarou o chanceler britânico, Philip Hammond.




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