Família tem quase um século no poder no RN
Henrique Alves: novo presidente da Câmara Federal
Ricardo Brito e Denise Madueño - Agência Estado
Henrique Alves atribuiu ao 'fogo amigo' denúncias que surgiram contra ele (foto Ed Ferreira/AE)
O deputado potiguar, que tem 11 mandatos consecutivos e 42 anos de
Câmara, dividirá com o colega de partido Renan Calheiros (AL), eleito na
sexta-feira presidente do Senado, o comando da pauta de votações do
Congresso pelos próximos dois anos. Os peemedebistas à frente das duas
Casas reforçam a posição do PMDB para a sucessão presidencial de Dilma
Rousseff - o partido já tem a vice-presidência, com o presidente de
honra do partido, Michel Temer.
Em seu discurso, Henrique Eduardo Alves atribuiu ao "fogo amigo" as
denúncias que surgiram contra ele. Nesta segunda-feira, os deputados
encontraram em seus gabinetes uma publicação com cópias de reportagens
de supostas irregularidades cometidas por Alves no exercício do mandato e
até as suspeitas de enriquecimento ilícito. Ele classificou a
publicação apócrifa de "pequena", "mesquinha" e de um "comportamento sem
cara, sem rosto, clandestino e subterrâneo". Disse ainda que "as
labaredas" desse fogo amigo não resistem às "chuvas de verão".
O deputado afirmou que no último mês quiseram construir um novo
Henrique com a publicação das reportagens. "No mês eleitoral, quiseram
rediscutir o Henrique, quiseram refazer o Henrique, construir um outro
Henrique", disse. Alves disse que as denúncias não chamuscam o alicerce
que construiu em sua vida e defendeu a liberdade de imprensa.
O deputado do PMDB fez um discurso para o público interno, em defesa
do Parlamento. Ele foi aplaudido ao prometer criar uma comissão para
analisar propostas sobre o chamado orçamento impositivo para as emendas
parlamentares, uma antiga reivindicação dos deputados, que contraria os
interesses do governo federal. Com o orçamento impositivo, a presidente
Dilma Rousseff não poderá mais segurar a liberação de dinheiro do
Orçamento quando se tratar das emendas individuais parlamentares
aprovadas na lei orçamentária.
Críticas. Henrique Eduardo Alves foi o alvo
preferencial dos outros três candidatos. Logo após o pronunciamento do
peemedebista, o deputado Júlio Delgado fez um duro discurso em que
rebateu todos os pontos da fala do favorito. De improviso, Júlio Delgado
disse que "chegou a hora da mudança", de "vencer as práticas políticas
que envergonham o Parlamento" e vencer "a politicagem na Casa
Legislativa".
Intitulando-se o primeiro a se lançar contra a "candidatura única", o
deputado do PSB lembrou que a ausência de disputa não permite o debate,
a essência do parlamento. Júlio Delgado criticou inicialmente a
proposta de Henrique Eduardo Alves de aprovar o orçamento impositivo. O
deputado do PSB lembrou que essa é uma ideia que já se tentou viabilizar
no passado sem sucesso. A proposta que considera mais factível,
ressaltou, seria a de um contingenciamento parcial do orçamento, de uma
forma que não atingisse todos os recursos das emendas parlamentares.
Primeira candidata a discursar, a deputada Rose de Freitas defendeu
maior independência do Parlamento em relação ao Executivo. Ela acusou o
Executivo "não respeitar o povo brasileiro", por meio dos seus
representantes na Câmara, cobrou a aprovação de um orçamento impositivo.
"O Poder Executivo não respeita o povo brasileiro. Nunca vi querer um
parlamento forte, somos da base do governo, trabalhamos, queremos que
se fortaleça", disse a deputada capixaba, que anteriormente elogiou a
presidente Dilma Rousseff.
A atual vice-presidente da Câmara disse que não quer a Casa
dependendo de "pires, de favor". Num discurso voltado para o público
interno, Rose de Freitas cobrou a aprovação do orçamento impositivo,
ressaltando que essa ideia não é "metáfora de campanha". Ela disse ter
apresentado a proposta 18 vezes na Câmara, tendo sido todas elas
derrubadas.
Último a falar da tribuna antes da votação, o deputado Chico Alencar
criticou a hegemonia do PMDB no Legislativo. Ele afirmou que o comando
das duas Casas, Senado e Câmara, nas mãos do partido dificulta o
exercício da função fiscalizadora do Congresso. "É um perigo para a
democracia brasileira", disse. Segundo ele, isso fará com que o
"oficialismo predomine" e o Legislativo renuncie à fiscalização.


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