Jeremias Macário

Há 40 anos, quando
iniciava minha carreira profissional no jornalismo, já era pautado para fazer
matérias sobre ex-prefeitos malvados e mentirosos que deixavam as prefeituras “arrasadas”
em todo final de mandato quando perdiam as eleições para seus sucessores da
oposição. Como nas próximas tem mais, assim continuam sem punição, tratando a
coisa pública como um bem particular deles, escancaradamente na maior safadeza
e ladroagem.
Para ser bem direto, sem arrodeios, ou “nariz
de cera”, definitivamente, vivemos num país da mentira. Para começar, a Lei de
Responsabilidade Fiscal é uma grande farsa e mentira, como é a Lei Eleitoral,
que pregam rigor nas contas públicas e prestação das campanhas. Esses prefeitos
retornam depois através da compra de votos e de favores eleitoreiros.
Se não existe um ensino de qualidade que
torne o povo mais consciente politicamente, a eleição como forma de
representação democrática, é também uma grande mentira. Mentem quando nos dizem
que temos um dos melhores sistemas de saúde do mundo. Basta mirar os corredores
dos hospitais e contar os mortos, sem atendimento.
Malvados os médicos que juram defender a
vida e se ausentam nos plantões para curtir o final de semana na praia, ou na
sua piscina, tomando seu uísque importado. Malvados os professores que fazem de
conta que ensinam. Malvados os “extras” do Tribunal Eleitoral. Vivemos
uma mentira e não nos indignamos com tudo isso.
Mentiu o ex-presidente Lula quando nos disse,
há anos, que o país já era autossuficiente em petróleo. Por que, então,
importamos diesel, gasolina e até etanol de milho dos Estados Unidos? A
produção de petróleo caiu e a Petrobrás sofre queda em seus ativos.
O pré-sal é uma
falácia, inviável economicamente, que os megaempresários do setor acreditaram.
Não tem tecnologia adequada para evitar os riscos e os prejuízos, inclusive ao
meio ambiente. Cadê o programa do biocombustível?
Recentemente mentiram para nós quando
anunciaram um PIB de 4,5% para o país em 2012. Vamos ter um “pibinho” de menos
de 1% e uma inflação de quase 6%, isso nas estatísticas oficiais. Fizeram uma
maquiagem nas contas públicas para tapar um buraco no superávit primário.
As mentiras continuam quando mandam os brasileiros
às compras e entopem as nossas ruas de carros, transformando o trânsito num
inferno, sem transporte público que atenda a demanda da população. Mentem
quando dizem que somos o país do futuro, quando todo ano o Governo aumenta os
recursos e o contingente de usuários dos bolsas famílias, e ainda acha que é um
grande feito de louvor.
Com tantos mentirosos e malvados, como
acreditar que não haverá racionamento de energia? Por falar nisso, essa redução
na conta de energia, se acontecer de verdade, não vem de graça e não é nenhuma
dádiva. Lembram quando descobriram que as concessionárias calcularam a mais o
preço da energia e teriam que fazer essa devolução? Pois é, essa escorcha não
foi reparada.
Malvados com a nação não são somente aqueles
prefeitos que levam tudo das prefeituras quando perdem as eleições para seus
opositores. Para que maior malvadeza que o custo de R$ 33,4 milhões por ano de
um senador, que ainda recebe 14º e 15º salários? Já um deputado federal custa
R$6,6 milhões. Aumentam as cadeiras nas câmaras de vereadores e mentem que isso
é bom para a população.
Como se não bastasse, tiram dinheiro dos
cofres públicos para construir estádios suntuosos, inclusive de clube
particulares de futebol. São mais de R$12 bilhões que vão encher as burras de
dinheiro de políticos, da Fifa, de empreiteiras e grandes empresas, como hotéis
e agências de viagens.
Mentem quando propagam por aí que sediar a
Copa do Mundo e as Olimpíadas é muito bom para o Brasil. É bom para eles
mesmos, porque o pobre fica de fora (recebe umas migalhas), como vão ficar de
fora as baianas de acarajé de Salvador e os vendedores ambulantes. Para eles,
distância de dois quilômetros dos mentirosos e dos malvados.


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